
ANOTAÇÃO D I S P E R S A...
Zavatini, o gênio que fazia dupla com Vitório de Sicca, na fase mais aguda do neorealismo italiano, que se valia do cenário destruído da Itália do pós-guerra, como centro das locações, imaginava levar para a tela linearmente a trajetória de um homem que sai de casa para o trabalho, sua rotina, enfim. É uma referência doutrinária importante, mas não executada por motivo óbvio: a arte não é a reprodução cronológica ou estática da realidade, mas a sua transfiguração.
É dessa questão conceitual que me ocupo diante dos contos do "nosso" Almeida Garrett no livro A Sete Palmos: a morbidez, a narrativa entre a vigília e o sonho, o pesadelo e o sonambulismo, são vetores constantes de sua literatura que navega na tensão dialética entre a realidade e a aparência, o lógico e o fantástico, o racional e o absurdo. A vida é um mosaico dessas colagens quando vertida em ficção.
Luiz Geraldo Mazza
Jornalista, membro da Academia Paranaense de Letras
"Garrett transita em terrenos da mente bastante perigosos e que tangenciam a loucura".
Belles-lettres, Revista Diplomacia & Negócios
"A ficção de Waldick Garrett é esculpida em histórias sobrenaturais, estranhas, mágicas, misteriosas. O leitor é conduzido a um mundo de sangue, a vielas imundas e a cantos sombrios... O mistério é uma névoa que envolve todos os textos de Garrett".
Estranhos Mundos, Jornal Rascunho